LÚCIFER, DIABOS, CAPETAS E SATÃ

Aprendemos através dos Veneráveis Mestres Samael e Rabolú, que Lúcifer é uma partícula do nosso próprio Real Ser, que tem como função criar para nós situações obstáculos. Ele é o nosso Treinador Psicológico. Diabos são os nossos agentes psicológicos inumanos e Satão é a energia negativa, maligna, a antítese  da energia crística, é o anticristo.

O V.M. Samael Aun Weor assevera que muito  já se falou sobre o Diabo, bastante se escreveu sobre este tema; porém, são poucos os que o explicaram realmente. A origem deste mito deve-se buscá-la nas criptas iniciáticas do passado e nas cavernas arcaicas.
Para ampliar a nossa compreensão do assunto, vamos estudar os texto abaixo, extraídos na integra do livros "Sim Há Inferno, Sim há diabos, Sim há Carma", do V.M. Samael Aun Weor:

O Diabo - Amigos meus”! Reunidos nesta noite, 18 de dezembro, ano 1972, décimo ano de Aquário, entramos na segunda parte de nossas dissertações. 
Muito se falou sobre o Diabo, bastante se escreveu sobre este tema; porém, são poucos os que o explicaram realmente.
A origem deste mito deve-se buscá-la nas criptas iniciáticas do passado e nas cavernas arcaicas.
 Reflitamos por um momento no que é o Sol. Inquestionavelmente, o astro rei nos ilumina e dá vida; não obstante, faz contraste com as trevas.
Qualquer meio-dia, por resplandecente que seja, tem suas sombras, já sob as frondosas árvores do caminho solitário, já dentro das grutas das montanhas, ou simplesmente atrás de qualquer corpo móvel ou imóvel.

Cada um de nós projeta sua sombra por aqui, por lá e por acolá.
Luz e sombras, em antítese harmoniosa, marcam um completo dualismo, cuja extraordinária síntese é a sabedoria.
Vamos agora um pouco mais longe, penetremos no profundo, no ignoto de nosso Ser.
Sabemos que mais além do corpo, dos afetos e da mente está o Logói interior, divinal... Inquestionavelmente, isto que é o inefável, isto que é o real projeta seu próprio reflexo, sua sombra particular, dentro de nós mesmos, aqui e agora.
Indubitavelmente, o sol íntimo de cada um de nós tem também sua sombra e esta cumpre uma missão específica no fundo mesmo de nossa própria Consciência.
Obviamente, tal sombra, tal reflexo logóico é o treinador psicológico, Lúcifer, o tentador...
No ginásio psicológico da existência humana, requer-se sempre um treinador, com o propósito de produzir poderes, faculdades, virtudes extraordinárias, etc., etc., etc.
De que forma poderiam brotar em nós as virtudes se não existisse a tentação?
Só mediante a luta, o contraste, a tentação e a rigorosa disciplina esotérica podem brotar em nós as flores da virtude.
Não é, pois, o Diabo esse personagem tenebroso criado pelo dogmatismo de algumas seitas mortas e contra o qual o marquês de Merville lançara todos os seus anátemas.
Não é tampouco o Diabo aquela entidade fabulosa que mereceria perdão, tal como escreveu Giovanni Papini em seu famoso livro intitulado “O Diabo”, obra esta pela qual foi excomungado o compassivo escritor. Bem sabemos todos que Giovanni Papini era o menino mimado do Vaticano. Não obstante, foi desqualificado nos tempos de Pio XII.
Senhores e senhoras! Satanás, o Diabo, é algo mais que tudo isso; é o reflexo de nosso próprio Ser íntimo em nós mesmos e dentro de nossa Consciência, aqui e agora.
Revisando velhas mitologias dos antigos tempos, viemos a evidenciar, claramente, que tal mito satânico foi divulgado em todos os rincões do mundo pelos sacerdotes da religião heliólatra ou heliocêntrica, que antes fora definitivamente universal.
Recordemos que houve épocas no passado em que se levantaram por toda parte, em todos os lugares do planeta Terra, templos ao Sol e ao Dragão.
Então existiram os cultos dragonianos e os sacerdotes da citada religião universal diziam-se a si mesmos “filhos do Dragão” ou, simplesmente, qualificavam-se de dragões.
O símbolo do dragão foi tomado daqueles répteis voadores gigantescos que existiram nas épocas da Atlântida e Lemúria.
Resulta interessante que tal símbolo tenha sido usado para alegorizar toda sombra do Sol, todo reflexo do astro rei, incluindo o Lúcifer íntimo particular de cada ser humano.
No Egito dos faraós, o Sol do Meio-Dia, o Sagrado Sol Absoluto esteve sempre simbolizado por Osíris, enquanto sua sombra, seu reflexo, seu Lúcifer, acha-se alegorizado por Tifão.
Nos mistérios gregos, O Sol Espiritual, a Estrela de Natal, o Demiurgo Criador, foi sempre representado por Apolo, enquanto que sua sombra, seu Lúcifer, seu Satã, seu reflexo divinal, alegoriza-se definitivamente por Píton.
No Apocalipse de São João, o Cristo Sol resplandecente acha-se sempre simbolizado por Miguel, a divindade guerreira, enquanto sua sombra cósmica é personificada pelo Dragão Vermelho.
Na Idade Média, alegorizava-se o Logos com a personalidade de São Jorge, enquanto sua sombra é simbolizada pelo Dragão.
Observemos o que é Bel e o Dragão, o Sol e sua sombra, o dia e a noite.
Não é, pois, o Diabo esse personagem que algumas seitas mortas sentaram num trono de ignonímia para atemorizar os débeis.
Com justa razão, Goethe põe na boca de seu Deus aquela frase com que se dirigira a divindade de Mefistóteles: “De todos os de tua espécie, gênios à minha lei rebeldes, o menos daninho e prejudicial tu és.”
Muito se disse sobre o mito satânico e alguns supõem que o mesmo chegou ao mundo ocidental desde a terra do Egito.
Não negamos, de forma alguma, a vinda à terra dos faraós de muitos deuses solares com seus correspondentes dragões, provenientes do Indostão. Tampouco negamos que a alegoria de Osíris e Tifão tivesse sido representada na velha Europa. Não obstante, vamos mais longe; temos direito a pensar nos hiperbóreos e em seus cultos solares, junto com seus dragões e infernos.
Não foi a Índia pré-védica exclusivamente a única que enviou ao Egito seus deuses solares e seus cultos. Fora de toda dúvida, a Atlântida submersa também deixou, no páis de Saís e nas margens do Nilo, arcaicos cultos ao Sol e seus dragões.
Vencer o Dragão, matar o Dragão, é urgente, quando queremos ser tragados pela Serpente, quando desejamos converter-nos em Serpente.
Isto significa sair triunfante em todas as tentações posta pelo Dragão, sair vitoriosos, eliminar o ego, desintegrar todos os agregados psíquicos que o compõem, reduzir a poeira cósmica todas as recordações do desejo, etc,. etc.
Indubitavelmente, depois de havermos sido devorados pela Serpente, nos transformamos em Serpentes. Mais tarde, a Águi, o Terceiro Logos, o Arqui-Hierofante e o Arquimago, nosso Real Ser, o Mestre Secreto, traga a Serpente. Então nos convertemos em Serpentes Emplumadas, no Quetzalcoatl mexicano, no Mahatma, e a Obra fica realizada.
Ao chegar a estas alturas transcedentais do Ser, a estas revalorizações íntimas, o reflexo do Logos, sua sombra particular dentro de nós mesmos, o Diabo, volta ao Logos, mescla-se com Ele, fusiona-se com Ele, porque, no fundo, Ele é Ele...
P. Mestre, se devo esquecer até as recordações do desejo, que estímulo vou utilizar para meu trabalho na frágua acesa de Vulcano.
V.M. – Com o maior prazer resposta a esta pergunta que sai do auditório.
As sagradas escrituras afirmam, de forma enfática, que primeiro é o animal e depois o espiritual.
Indubitavelmente, quando se começa o trabalho na forja dos Cíclopes, há de se necessitar do desejo (uste, em sânscrito), porque ainda não se realizaram as profundas revalorizações do Ser.
Seria impossível exigir dos principiantes Maithuna, sexologia transcedental, Sexo-Yoga ou Kundalini-Yoga, com exclusão radical do desejo.
Não obstante, mais tarde, com a dissolução do eu psicológico, é inquestionável que tal fator, “desejo”, resulta desnecessário. Motivo: eliminado todo agente animal, subconsciente, o desejo não pode existir radicalmente.
Ao chegar a estas alturas transcedentais do Ser, podemos trabalhar na nona esfera exclusivamente com a força de Eros, com o poder do hidrogênio sexual Si-12, com a eletricidade transcendente dos zoospermas.
Assim pois, amigos meus, em última instância, o desejo não é indispensável para o trabalho na frágua acesa de Vulcano.
P. Querido Mestre, sendo Satã o reflexo de Deus e, portanto, sendo Satã amor, não seria incongruente dizer que o ego é satânico.
V.M. – Distinto cavalheiro! Amigos, senhoras! Recordai que existem dois tipos de trevas. A primeira a denominaremos obscuridade do silêncio e do segredo augusto dos sábios. A segunda qualificaremos de obscuridade da ignorância e do erro.
Obviamente, a primeira é a superobscuridade; indubitavelmente, a segunda é a infra-obscuridade.
Isto quer dizer que as trevas se bipolarizam e que o negativo é tão só o desdobramento do posítivo.
Por simples indução lógica, convido-os a compreender que Prometeu-Lúcifer, encadeado à dura rocha, sacrificando-se por nós, submeteu-se a todas as torturas. Ainda que seja o fiel da balança, o doador da luz, a medida e o peso, o guardião das sete mansões, que não deixa passar senão aqueles que forma ungidos pela sabedoria, que portam em sua direita a lâmpada de Hermes, desdobra-se, inevitavelmente, no aspecto fatal da multiplicidade egóica, nesses agregados psíquicos sinistros que compõem nosso eu e que foram devidamente estudados pelo esoterismo tântrico budista.
Com esta explicação, senhores, considero que vocês entenderam minhas palavras.
P. – Mestre, a prática do Maithuna-Yoga existe desde tempo imemorial, porque na Índia vedanta se oferece, à vista do público, estímulos eróticos complexos como os baixos-relevos dos próprios templos. Parece-me que estes estímulos fazem a prática do Maithuna ainda mais difícil.
V.M. – Com o maior prazer vou dar resposta precisa à pergunta que um distinto cavalheiro esoterista formulou com inteira claridade.
Certamente, no Kama Kalpa indostânico aperece uma fotografia tântrica de uma escultura sagrada existente em um templo antiqüíssimo...
Quero referir-me agora, de forma enfática, a tal obra de magia sexual.
Se observamos cuidadosamente a fotografia do citado livro hindu, veremos uma mulher em Sidar Shana. Sua cabeça se acha para baixo, suas pernas para cima, com a particularidade de que estas não se encontram na figura de lótus, mas abertas à direita e à esquerda, embora os joelhos se dobrem, ficando a parte inferior das pernas na forma horizontal. A cabeça sustém-se sobre as mãos e antebraços, tal como se conhece este asana sagrado no mundo da igo.
O mais interessante é o seguinte: um mago, praticamente sentado entre suas pernas, com o falo introduzido forçadamente dentro do útero, pratica o Maithuna.
Indubitavelmente aquela mulher tântrica não poderia sustentar-se em tal posição, com a cabeça para baixo, se duas mulheres mais não a ajudassem à direita e à esquerda.
Ali se vê claramente um par de jovens mulheres ajudando a sustentar o corpo da ioguina.
Estas mulheres auxiliares, semidesnudas, sentem terrível luxúria e isto se adivinha claramente em seus olhos.
O mago goza acariciando os peitos de uma e de outra, enquanto mantém seu falo conectado com o yoni feminino.
Indubitavelmente, esta prática tantrica, complicada e difícil, entre quatro pessoas resulta desnecessária e é rechaçada totalmente pela Fraternidade Universal Branca.
Não é demais recordar ao auditório que estas complicadas práticas sexuais, realizadas entre mais de duas pessoas, correspondem, certamente, ao tantrismo negro e isto o podemos evidenciar quando estudamos os sinistros ensinamentos do clã de Dag-Dugpa, na igreja de sacerdotes de capacete vermelho, região dos Himalaias, Tibet Oriental.
É óbvio que os adeptos da igreja amarela, tântricos brancos, ou verdadeiros Urdhvaretas iogues, só praticam o Sahaja Maithuna de acordo com os mandato da Igreja Gnóstica (união sexual de esposo e esposa em lares legitimamente constituídos).
Assim pois, os atos sexuais ou Maithuna entre mais de duas pessoal, tal como ilustrado pelo Kama Kalpa, é, inquestionavelmente, magia negra.
Oviamente, o tantrismo esquerdo é diferente do tantrismo branco e esta ilustração do Kama Kalpa é manifestamente sinistra e tenebrosa. Jamais poderia ser aceito pela iniciação tantra branca da igreja amarela budista.
Não há dúvida de que os asanas múltiplos de tântricos negros, em vez de despertar o Kundalini ou prana sagrado, para fazê-lo subir pelo canal medular, estimulam e desenvolvem o abominável órgão Kundartiguador, convertendo-se, então, o aspirante em uma personalidade tenebrosa, em um mago negro da pior espécie 
Não desconhecemos o Kama Sutra e o Kama Kalpa. Desafortunadamente, o primeiro foi adulterado de forma vergonhosa, para lhe dar circulação no mundo ocidental e, quanto ao segundo, está manchado com tantras negros ou sadanas de bonzos e dugpas.
Que sejam corroboradas minhas afirmações, que sejam verificados claramente, prévio estudo de cânones budistas e livros secretos ocultos em criptas subterrâneas da Ásia Central.
Como sou um Adepto e estou em contato direto com os Mestres da Loja Branca, tais como K.H., Moria, Hilarion, etc., etc., é claro que posso fazer estes esclarecimentos de forma completamente consciente e precisa.
P. – Mestre, como poderíamos diferenciar quando atua em nós Lúcifer e quando atua o ego.
V.M. – Com o maior prazer vou dar resposta a esta pergunta.
Falamos já claramente sobre a superobscuridade luciferina e sobre a infra-obscuridade da ignorância e do erro. Lúcifer, o tentador, o grande treinador do ginásio psicológico da existência, trabalha tentando-nos e estas impressões internas costumam polarizar-se negativamente ou fatalmente mediante a atividade egóica.
Indubitavelmente, só mediante a auto-reflexão serena e a meditação interior podemos fazer clara diferenciação entre as impressões íntimas luciferinas diretas e as impressões egoístas bestiais.
Normalmente, as pessoas de Consciência adormecida não estão devidamente preparada para fazer tal diferenciação de impressões; isto requer muito treinamento psicológico.
P. – Mestre, ao diabo se alegoriza sempre com o tridente. Tem algum significado especial este símbolo.
V.M. – Esta pergunta do auditório me recorda o tridente da mente que usam os brâmanes do Indostão. Não obstante, nós vamos mais longe, chegamos às três forças primárias do universo, alegorizadas pelo tridente. É claro que, vencendo o Dragão, podemos cristalizar, dentro de nós mesmos, estas três forças e, então, nos converteremos, de fato, em verdadeiros deuses solares.
Não é, acaso, o Dragão o reflexo do Sol? Compreendei, então, o que significa o tridente.
P. – Querido Mestre, ao trabalhar com Lúcifer na nona esfera para eliminar o ego, estamo-lo fazendo com as forças tanto positivas como negativas de Lúcifer?
V.M. – Distinto cavalheiro, senhoras! Obviamente Lúcifer é escada para baixar e escada para subir e para poder trabalhar e dissolver o ego no laboratório da alquimia sexual.
Indiscutivelmente, só mediante o fogo luciferino podemos reduzir a cinzas as cristalizações negativas de nossa psique, os elementos infra-humanos, os agregados psíquicos, infelizes desvios do poder luciférico.
É assim, amigos, como o Fohat transcedente, a eletricidade sexual, o poder maravilhoso do Christus-Lúcifer, redime, trabalha, desintegra o inútil, a fim de liberar a Essência, a Consciência, o Buddhata"V.M. Samae Aun Weorl ).
 "O Dragão das Trevas  - Amigos meus! Reunidos esta noite, depois do Natal de 1972, vamos conversar um pouco sobre o Dragão das Trevas.
Recordem os senhores que estes ensinamentos constituirão a mensagem natalina de 1973-74.
Indubitavelmente, a questão esta do diabo inquieta hoje bastante a opinião pública e se faz necessário esclarecer, indicar, assinalar com precisão, o cru realismo satânico.
Francamente, eu não creio no diabo esse das religiões dogmáticas e penso que os senhores tampouco aceitariam esse fetiche do clero profano.
É óbvio que, na Atlântida, antes da segunda catástrofe transalpaniana, existiu, na terra de Um, um réptil voador de tipo mais netuniano e cheio de escamas.
Os caldeus quiseram sempre simbolizar as trevas da noite, o reflexo do Logos no universo e dentro de cada um de nós, com o famoso anfíbio atlante.
 H.P.B. conceitua que tal criatura é Makara, o décimo signo do zodíaco. Não obstante, nós vamos um pouco mais longe neste ponto, porque estou firmemente convencido de que essa misteriosa criatura, especificamente, é de tipo completamente netuniano.
Em todo caso, o escamoso, o réptil voador dos caldeus, foi tomado, mais tarde, pelos judeus e, repito, pelos cristãos.
O mais lamentável desta questão é que tal alegoria, ou símbolo, tenha sido convertido na figura essa, espantosa e horripilante, do diabo ortodoxo.
Convém, agora, recordar a seita gnóstica dos naassênios, adoradores da Serpente. Os adeptos de tal ordem simbolizaram o Dragão, ou reflexo do Logos, com a brilhante constelação de sete estrelas. Quero me referir, de forma enfática, clara e precisa, à constelação do Dragão.
Alguns supõem que João, o vidente do Apocalipse, é o autor de tal alegoria. Tal suposição é, de fato, equivocada, porque o dragão é de Netuno, da magia atlante...
Ressaltam as sete estrelas da constelação do Dragão na mão do Alfa e do Ômega, aquele Verbo do Apocalipse que aparecera a João.
É, pois, o Dragão, o Lúcifer, Prometeu, Satã ou o Diabo, em seu aspecto superior, o próprio Logos, “O Nascido por Si”, o Aja hindu. Em seu aspecto inferior é o Dragão ou Diabo esotérico, autêntico e legítimo (diferente do da ortodoxia dogmática). Todo hierofante, todo verdadeiro auto-realizado é um dragão de sabedoria.
Quero, pois, amigos meus, que compreendais o que é esse fetiche dogmático ou diabo fantástico ortodoxo e o que é, realmente, o reflexo do Logos, a sombra de Deus dentro de cada um de nós, o Diabo real ou Lúcifer, ou Prometeu sagrado.
Sinto que há algo de resistência no fundo de vós, em vossa própria subconsciência, devido à educação e às idéias equivocadas que até esta data todos vós tendes sobre o diabo.
Não me surpreende de modo algum este preconceito que condiciona vosso intelecto. Ensinaram-vos a crer num diabo terrível, sentado num trono de ignomínia, com um garfo de aço em sua destra, dominando o mundo inteiro; e, agora, é claro que, ao escutar minhas palavras, ao dizer-vos que o diabo das seitas dogmáticas é mera fantasia que não existe e que o que verdadeiramente, sim, existe é o Diabo da boa lei, a sombra do Sol espiritual dentro de cada um de nós, a sombra da noite em oposição ao dia, a sombra das árvores à beira do caminho, etc., é óbvio que vos comove e até surpreende; porém, sem deixar esse receio próprio de uma falsa crença que vos inculcaram desde os primeiros anos da infância.
Como poderia ser má a sombra do eterno Deus vivo? Refleti nisto um pouco, por favor!... No Museu Britânico há uma representação do escamoso, por certo, bastante interessante.
Também existe, no citado museu, uma pintura arcaica, antiquíssima, onde aparece a Árvore da Ciência do Bem e do Mal, a macieira do Éden...
Resulta interessante que, próximo a essa árvore, se vê, na pintura, Adão e Eva, o homem e a mulher, tentando atrair as maças com o propósito de devorá-las.
Atrás do tronco daquela árvore, está o Dragão-Serpente e, no alto, nas nuvens, aparecem alguns seres maldizendo a árvore, viva representação de todo clero exoterista ou profano, desconhecedor dos mistérios sexuais.
Não cabe dúvida de que os dois seres humanos, homem-mulher estão, pois, diante da Árvore da Ciência do Bem e do Mal.
A Serpente-Dragão é o Iniciador e isto devemos saber entender profundamente
Vou explicar-lhes francamente, vou dizer o que é tudo isto, para que vós entendais e marcheis com firmeza pelo caminho estreito e difícil que conduz o Iniciado até a liberação final.
Inquestionavelmente, a Serpente é o fogo sexual que deve ascender pelo canal medular espinhal, de grau em grau, até o cérebro.
Naturalmente, tal elemento ígneo possui poderes extraordinários e, quando sobe pela espinha dorsal, transforma-nos radicalmente.
Quanto ao Dragão, indubitavelmente, é o treinador psicológico mais extraordinário que cada um de nós carrega dentro.
O divino Daimon, citado tantas vezes por Sócrates, a própria sombra do nosso espírito individual, coloca-nos em tentações, com o propósito de nos treinar, de nos educar. Só assim é possível que brotem em nossa psique as gemas preciosas das virtudes.
Agora me pergunto e pergunto aos senhores, onde está a maldade de Lúcifer? Os resultados são os que falam. Se não há tentação, não há virtudes. Quanto maiores sejam as tentações, maiores serão as virtudes. O importante é não cair em tentação e, por isso, devemos rogar ao Pai, dizendo: “Não me deixes cair em tentação”.
Vistos, pois, estes dois aspectos que se escondem atrás da Árvore da Ciência do Bem e do Mal, chegamos à conclusão lógica de que o Dragão e a Serpente, ou a Serpente-Dragão, para falar em síntese, é, fora de toda dúvida, o grande Iniciador prático.
Muitas vezes temos dado a chave e não nos cansaremos de repeti-la até a saciedade: Conexão do falo e do útero sem ejaculação do sêmen. Só assim se põe em marcha o fogo sagrado do sexo que, elevando-se pelo canal medular espinhal, de grau em grau, de vértebra em vértebra, vem, por último, a nos transformar radicalmente.
Que o Dragão nos tente durante o trabalho é seu dever. Ele nos deve tornar fortes; ele nos deve educar no ginásio sexual; ele nos deve converter em atletas da Magia Sexual.
Muito mais tarde, a Serpente Ígnea de Nossos Mágicos Poderes deve tragar-nos e, então, nos converteremos, de fato, em serpentes.
Não obstante, antes desse acontecimento extraordinário, antes desse banquete do fogo serpentino, devemos vencer o Dragão, quer dizer, devemos sair vitoriosos da tentação.
No fim, o escamoso Lúcifer, a sombra do Eterno, o reflexo íntimo de nosso verdadeiro Ser divino, voltará a Ele, fusionar-se-á com Ele, resplandecerá n’Ele.
Ao chegar a estas alturas, poderemos exclamar com os antigos iniciados: “Eu sou um Dragão! Eu sou Ele, Ele, Ele!”
P. – Mestre, o divino Daimon só nos tenta no trabalho do sexo, ou também no trabalho da dissolução do ego?
V.M. – Distinta dama! É urgente que a senhora entenda que a raiz do ego se encontra no abuso sexual, na luxúria, na fornicação, no adultérico. Se a uma árvore lhe tiramos suas raízes, é claro que esta última morre. Algo semelhante acontece ao ego. Desafortunadamente, Lúcifer deve educar-nos no sexo; ali nos deve submeter a um treinamento rigoroso, mediante as mais severas tentações; é claro que, se ali, no sexo, saímos vitoriosos, a desintegração do ego se precipita inevitavelmente.
Não quero dizer com isto que todos os defeitos psicológicos não devam ser trabalhados com o propósito de reduzi-los a cinzas; unicamente estou pondo certa ênfase na questão sexual por tratar-se de que na fornicação está o pecado original.
P. – V.M. Ouvi dizer que, em algum dos Evangelho, o Grande Kabir Jesus disse: “Filhos de Satã sois, mas não filhos de Deus.” Poderia explicar-nos isto?
V.M. – Distinto cavalheiro! Escuto sua pergunto e com o maior prazer me apresso a responder-lhe.
Obviamente, todos somos filhos do Dragão, de Satã, do Diabo das trevas.
Se alguém se quer fazer filho de Deus, deve vencer o Dragão, o tentador, o escamoso; então nos teremos convertido em filhos de Deus e em dragões de sabedoria.
Sem dúvida, o Grande Kabir Jesus não maldisse jamais a sua sombra. Em nenhum dos quatro Evangelhos foi dito que Jesus tivesse estendido sua destra para maldizer sua própria sombra.
Quando Jesus, o grande sacerdote gnóstico, foi tentado por Satã, só exclamou: “Satã, Satã, escrito está: ao Senhor teu Deus não tentarás e a Ele só obedecerás.”
Fica, pois, esclarecido que Satã, Lúcifer-Prometeu, deve obedecer a Deus. Seu dever é tentar o Iniciado. Absurdo seria que a sombra do Eterno tentasse o Eterno ou, em outras palavras, que o Diabo tentasse Deus.
Vê-se claramente, pelas palavras do Grande Kabir Jesus, que Lúcifer é o ministro do Altíssimo, o guardião das sete mansões, o servo da divindade.
Aqueles que anatematizam a sombra do eterno Deus vivo, obviamente, estão anatematizando o próprio Deus, porque Deus e sua sombra são um. Entendido?
P. – Mestre, não será que esse diabo da ortodoxia dogmático com seu cornos, cauda e garfo, na realidade, existe como uma representação dos agregados psíquicos que constituem o ego?
V.M. – Distinto cavalheiro! Já disse, em passadas conferências, que devemos fazer uma clara diferença entre o que é o divino Daimon e o que é o ego.
Indubitavelmente, o ego em si mesmo, com todos os seus agregados psíquicos, é luz astral pervertida, mente maligna; nada tem a ver com Lúcifer. É, ao contrário, a antítese dele, seu oposto fatal.
P. – Entendo, Mestre, que são totalmente diferentes o divino Daimon e o ego, porém, como este é formado pelos diabos vermelhos de Set, creio que o diabo que todos conhecemos, do tridente, bem poderia representar o ego. Não crê o senhor assim.
V.M. – Distinto cavalheiro! O transfundo de sua pergunta está equivocado; fundamenta-se num erro, num preconceito. Não sei por que, senhores e senhoras, se quis converter um réptil voador da antiga Atlântida num fetiche maligno.
Não me parece, pois, correto que tal erro sirva de embasamento para uma pergunta. Não estou de acordo que um pobre anfíbio inocente tenha forçosamente que representar a perversidade do ego.
Que tal réptil simbolize a sombra do Eterno estou de acordo; porém, que alegorize nossos defeitos psicológicos, francamente, parece-me incongruente.
Bem poderíamos alegorizar o ego de qualquer outra forma. Recordemos as Três Fúrias clássicas, ou a Medusa, etc. Com tais figuras clássicas poderíamos simbolizar o ego e seus agregados psíquicos.
P. – Mestre, a religião católica, por exemplo, não coloca o Dragão como diabo, senão que o representa com um homem com cornos, cauda, cascos e tridente, Que me diz o senhor disto.
V.M. – Aqui no auditório vejo uma dama que faz uma pergunta interessante e é claro que a vou responder-lhe com toda clareza.
Senhores, senhoras! O diabo, este da religião católica, não é mais que um desvio do mesmo dragão pictório dos caldeus, inspirado num pobre réptil voador do continente atlante.
Convido-os a compreender que esse inocente animal foi pintado, mais tarde, em forma de dragão e, por último, na mais recente figura do fetiche esse de cascos, cornos e asas negras que tanto atemoriza os ignorantes.
É necessário deixar a ignorância, inquirir, indagar, estudar...
P. – Venerável Mestre, quando se fala da Árvore da Ciência do Bem e do Mal, o que é que realmente significa o mal e o que é que significa o bem?
V.M. – Esta pergunta que sai do auditório me pareceu muito interessante e sinto agrado em contestá-la.
Amigos! Quero que os senhores saibam que bem, no sentido mais objetivo da palavra, é tudo aquilo que fazemos conscientemente e de acordo com a Grande Lei, e que mal é tudo aquilo que, depois de feito, nos produz remorso.
P. – Mestre, há muita gente, que, ainda que faça mal, isto não lhe produz remorso. Poderia dizer-nos por quê?
V.M. – Distinta dama! Sua pergunta merece ser examinada detidamente. Antes de tudo, que é o remorso?
Se os aspectos transcedentais de nosso Ser Íntimo se enfrentam ante nosso próprio Logói, ou ante o Sagrado Sol Absoluto, então podemos verificar, por nós mesmos, os erros psicológicos das partes inferiores da nossa psique e isto nos produz remorso.
Normalmente, o citado processo, o que acabo de dizer, realiza-se em todos os seres normais, ainda que estes, no mundo físico, o ignorem radicalmente. De todas as maneiras, sentem remorso depois de uma má ação.
Muito diferente é a sorte dos decididamente perversos. Estes últimos, como já se alijaram demasiado do Sagrado Sol Absoluto, devido às suas maldades, é claro que, em seus foros íntimos, já não são realizados tais processos e, por conseguinte, o remorso se faz impossível.
P. – Mestre, explicou-nos o senhor que o Dragão das Trevas, em síntese, é o grande treinador no ginásio da vida e ao qual devemos vencer para criar as virtudes; porém, como, ao vencer o Dragão, o que estamos fazendo é decapitando o ego e como neste processo tem importância primária o trabalho com a Serpente Ígnea de Nossos Mágicos Poderes que, indubitavelmente, é nossa Divina Mãe, não posso evitar de relacionar o Dragão das Trevas com a nossa Divina Mãe, ou seja, Devi-Kundalini. É isto incongruente?
V.M.- Escuto a pergunto e a ela vou dar resposta com o maior prazer.
Senhores e senhoras! Volto a trazer à colação, nestes instantes, a pintura caldéia do Museu Britânico. Atrás da Árvore da Ciência do Bem e do Mal aparece o Dragão-Serpente, quer dizer, o grande Iniciador efetivo e prático.
Obviamente, o Dragão somente respeita a Serpente e isto é inquestionável.
Diz-se que temos que vencer o Dragão ou matar o Dragão, simbólica afirmação da vitória na tentação.
Conforme somos treinados e educados, conforme as gemas preciosas das virtudes vão resplandecendo no fundo de nossa alma, o ego vai-se dissolvendo e isto é irrebatível, irrefutável
Em todo caso devemos vencer o Dragão, para sermos devorados pela Serpente. Ditoso aquele que se converte em Serpente!
P. – Mestre, poderia o Dragão interior drasticamente realizar um milagre, por exemplo, fazer algo espetacular com o propósito de corrigir alguém?
V.M. – Amigos meus! Vem-me à memória, nestes momentos, um relato, por certo bastante interessante, de um irmão gnóstico da Costa Rica.
Diz-nos o narrador que, num povoado de seu país, aconteceu um caso insólito e insuspeitado.
Trata-se de uma mulher prostituta. Esta se embriagava incessantemente com toda classe de bebidas alcóolicas e, em meio à sua bebedeira, exclamava: “Eu me deito com dez ou quinze homens por dia e todo homem que me atravessa o caminho com ele me deito; e, se o diabo o atravessasse, também me deitaria com ele.” Sucedeu que, em certa ocasião, um marinheiro chegou à sua porta, o qual tinha formosa presença. A mulher aquela não teve inconveniente algum em revolver-se com ele no leito de Procusto...
Depois da fornicação, aquela mulher, sentada à porta do lenocínio, dirigiu seus olhares à rua... De repente, o mancebo, de dentro, chamou-a, dizendo: “Tu não me conheces! Volta-te e olha-me, para que me conheças!” A infeliz, obedecendo às indicações do amante levantou-se para dirigir-se outra vez ao interior da abominável recâmara, e logo, olhando aquele que havia sido seu instrumento de prazer viu algo horripilante, terrível, tenebroso.
O escamoso, disfarçado com a forma aquela que lhe deram os ortodoxos do catolicismo romano, a olhava fixamente, ao mento tempo em que um forte cheiro de enxofre enchia o lugar... 
A mulherzinha não pode resistir e caiu no piso, desmaiada, ao mesmo tempo em que dava alguns alaridos muito agudos...
Os vizinhos, ao escutar tais gritos, vieram para auxiliá-la; porém, o cheiro de enxofre os fez fugir espavoridos.
Mais tarde, a infeliz, depois de haver relatado, no hospital, o sucedido, morria ao terceiro dia. Levou-a o diabo.
Conta o narrador que aquele cheiro de enxofre persistiu por algum tempo no lenocínio e que as pessoas evitavam, por tal motivo, passar pela rua onde estava essa casa.
Analisando judiciosamente tal relato, descobrimos praticamente uma operação de assepsia moral, um método de urgência, tomado pelo próprio Lúcifer interior para essa mulher.
Não há duvida que seu Deus íntimo ordenou à sua sombra, ao seu Lúcifer, ao seu Dragão particular interior, materializar-se dessa forma diante da infeliz, fazer-se visível e tangível diante dela e até copular com ela...
Obviamente, seu Divino Sol Íntimo não poderia ter realizado tal cópula, tal aparição; porém, sua sombra particular, como está polarizada negativamente com respeito à luz positiva, resulta palmário e manifesto que, sim, pôde realizar concretamente tudo isto.
O resultado será, mais tarde, maravilhoso. A infeliz aquela desencarnou cheia de terror e, quando volte a reincorporar-se, quando renasça neste mundo, quando tome um novo corpo, é muito difícil que possa voltar à prostituição. Ficou-lhe na Consciência esse terror, esse choque psíquico.
O mais seguro é que, em sua futura existência, resolva seguir pelo caminho reto, pela senda da castidade.
Assim é como o Dragão pode trabalhar e operar drasticamente num momento dado" 
V.M. Samael Aun Weor ).
"Criptas Subterrâneas  -Vejo hoje, com alegria, um grupo muito seleto de visitantes gnósticos que vieram ao México depois de assistir ao Congresso Gnóstico Internacional na República de El Salvador.
Vamos continuar com nossas conferências e espero que todos vós tireis delas os maiores benefícios.
Depois deste preâmbulo, vamos entrar no tema que hoje nos ocupa. 
Na Caldéia antiga e no Egito existiram catacumbas maravilhosas, criptas subterrâneas, onde se cultivaram os mistérios.
Não é demais recordar as criptas de Tebas e Mênfis. Inquestionavelmente, as primeiras foram ainda mais famosas.
Do lado ocidental do Nilo existiram, naqueles tempos, longos passadiços profundos que chegavam até o deserto da Líbia.
Em tais criptas cultivaram-se os segredos relacionados com o Kuklos Anankes, o ciclo inevitável, o círculo da necessidade.
Nos instantes em que conversamos isto, vem-me à memória o Templo das Serpentes em San Juan de Teotihuácan.
O investigador esoterista poderá ver ali, em detalhe, esculpida na rocha, a serpente cascavel e o mais assombroso de tudo isto é que, junto à víbora sacra dos mistérios astecas, ressalta, também lavrado em pedra viva, o caracol.
Variados caracóis, de lado a lado da serpe divinal, resplandecem formosamente.
Não há dúvida de que nas criptas subterrâneas da Caldéia, Tebas e Mênfis se cultivasse realmente a sabedoria da Serpente.
É também muito notório o estudo transcedental do ciclo inevitável ou círculo da necessidade que, em forma espiralóide ou de caracol, se processa durante a manifestação cósmica.
Vejam os senhores, queridos irmãos gnósticos que esta noite me acompanham, a íntima relação que existe sempre entre a serpente e o caracol. Refleti, por um momento, no profundo significado que ambos, serpente e caracol, possuem intrinsecamente.
Obviamente, a serpente é o poder sexual transcedente, o poder maravilhoso que nos traz à existência, a força que origina toda vida.
 Qualquer esoterista autêntico sabe muito bem que o poder serpentino sexual em todo o universo tem poder sobre os Tattwas, por conseguinte, sobre os elementais da natureza.
O poder serpentino universal origina infinitas criações. Devi Kundalini cria o corpo mental, o astral, o etérico e o físico.
Agora, bem, Maha Kundalini ou, em outras palavras, a Mãe Cósmica, a Mãe Natureza, criou todo o universo ou tomou a forma do mundo. Obviamente realizou também todos os seus processos sobre a base da linha espiralóide, tão vivamente alegorizada pelo caracol.
Qualquer progresso interior, todo desenvolvimento íntimo se baseia na espiral da vida.
Nós, pois, falando já de forma pessoal, podemos dizer que cada um de nós é um mau caracol no seio do Pai.
A cada alma são outorgadas ou assinaladas 108 existências para sua auto-realização e estas se processam em espirais, ora mais elevadas, ora mais baixas. Eis aqui o caracol!
Mas aprofundemos um pouco mais, queridos irmãos que esta noite assistem a nossa conferência. Vamos estudar o Kuklos Anankes, o ciclo inevitável ou círculo da necessidade.
Muito interessante resulta o fato concreto de que tal tema, tão profundo, só fosse estudado nessas criptas subterrâneas.
Indubitavelmente, esta é a mesma doutrina da transmigração das almas, que mais tarde ensinou o Avatara Krishna do Indostão.
Não obstante, é notório que o Kuklos Anankes egípcio fosse ainda mais específico... Já dissemos muito, já afirmamos nestas conferências o que é o descenso aos mundos infernos; pusemos certa ênfase ao dizer que, cumprido o ciclo das 108 vidas que se assinala a cada alma, se não nos auto-realizamos, entramos nos mundos infernos.
Obviamente, nessas regiões submersas involuímos espantosamente, até chegar ao nono círculo, situado no coração do mundo. Ali são desintegrados os perdidos, são reduzidos a poeira cósmica.
Depois da morte segunda (e isto é coisa que já dissemos em todas as nossas passadas conferências), a alma ou as almas fracassadas ressurgem, saem outra vez à luz do Sol, para recomeçar a jornada, começando uma nova evolução que iniciará inevitavelmente desde o escalão mais baixo, que é o reino mineral.
O interessante do Kuklos Anankes egípcio são, precisamente, as especificações, as diversas análises e sínteses.
É claro que devemos ter em conta o raio em que se desenvolve cada Essência que brota do Abismo e, por conseguinte, sua linha de desenvolvimento particular.
Variadas são as famílias vegetais, variadas as espécies animais, diferentes os elementos minerais, etc., etc., etc.
Os reitores da natureza não poderão fazer passar todas as Essências que brotaram do Abismo por um mesmo elemento mineral, já seja este ferro, cobre ou prata, etc., ou por um determinada família vegetal, ou através de determinada espécie animal. Os Gurus Devas têm que distribuir sabiamente, porque algumas Essências podem viver no ferro, outras no cobre, outras na prata, etc. Nem todas poderiam passar pelo mesmo elemento mineral.
As famílias elementais vegetais estão muito bem organizadas no mundo etérico e nem todos os elementais poderiam ser pinheiros ou hortelã-pimenta. Cada família vegetal é diferente; há plantas lunares, mercurianas, venusianas, solares, marcianas, jupiterianas, saturninas, etc., etc., etc.
As Essências, de acordo com seu raio de criação, cada um terá que relacionar-se com tal ou qual departamento vegetal e solucionar tudo isto, sabê-lo distribuir, é algo que corresponde aos reitores da natureza.
As espécies animais são variadíssimas e seria absurdo reincorporar determinadas Essências em organismos animais que não correspondem ao seu raio de criação. Certas Essências podem evoluir no reino das aves, outras nos quadrúpedes, outras entre os peixes do imenso mar. Os reitores da vida devem saber, pois, manejar estas correntes elementais sabiamente, para evitar confusões, anarquias, destruições desnecessárias.
Por último, a entrada das correntes de vida no reino dos humanóides racionais é muito delicada. Necessita-se de muita sabedoria para evitar catástrofes.
Vejam os senhores, pois, o que é esta doutrina da transmigração das almas, estudada a fundo pelos egípcios.
Wotan nos fala também de uma cova de serpente, na qual ele teve a dita de haver penetrado.
É notória a relação entre esta cova de serpe, ou cobra, mencionada por Wotan, aqui no México, e as criptas do Egito e da Caldéia.
Esta tal cova de cobra, ou de serpe, não é mais que uma caverna subterrânea, uma cripta de mistérios, onde este grande iniciado entrou triunfalmente...
Diz Wotan que ele pôde penetrar nessa cova de serpe, no interior da Terra, e chegar até as raízes do Céu, porque ele mesmo era uma serpente, uma cobra.
Os druidas da região celta britânica, na Europa, também se chamavam, a si mesmos, de serpentes.
Não é demais recordar o Karnak egípcio e o Carnac britânico, símbolos vivos do Monte da Serpente.
Não há dúvida que os senhores, meus amigos visitantes, já sabem muito bem o que é a Serpente, já têm tal informação, por isso não me parece, pois, que esta notícia seja nova.
Os indostânicos falam claramente sobre a Serpente. Trata-se de um poder elétrico sexual maravilhoso, o fogo sagrado que se acha oculto em cada um de nós.
É indubitável que este poder ígneo, ou poder serpentino, parece uma cobra realmente. Assim a vêem os clarividentes.
Do ponto de vista anatômico oculto poderia afirmar aos senhores, de forma enfática, que parece uma serpente de fogo enroscada três vezes e meia dentro do centro magnético do cóccix, base fundamental da espinha dorsal.
Às vezes temo que não me entenderam, mas sei que os senhores leram meus livros e, por isso, de modo algum lhes pode estranhar o ensinamento que esta noite estamos dando.
Primeiro devemos despertar o fogo e fazê-lo subir pelo canal medular até o cérebro; só assim nos poderemos transformar radicalmente.
Depois, e isto é o mais tremendo, devemos ser tragados pela Serpente. Só assim poderemos converter-nos em serpentes. Este é o ensinamento de Wotan, esta é a doutrina dos maias e dos astecas.
Jamais poderíamos gozar dos poderes da Cobra sem antes haver sido tragados por ela e isto é algo que, desafortunadamente, desconhecem muitos escritores pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas.
Não obstante, quero que os senhores entendam que não é possível ser devorado pela Cobra sem haver vencido, antes, o Dragão.
Em meu passado livro intitulado As Três Montanhas, cito também o dragão; mas, antes quis fazer referência a um monstro abominável que todo ser humano leva dentro, junto com os três traidores, e que devemos desintegrar nos infernos lunares inevitavelmente.
Agora estou falando de um dragão diferente. Estou-me referindo ao reflexo do Logos dentro de nós mesmos, aqui e agora, ao autêntico Diabo, ao Dragão sagrado dos dracontes, que nada tem de mau nem de perverso, como supõem as pessoas ignorantes.
Esse Dragão Vermelho, essa sombra do Logos Solar em nós, esse treinador psicológico que cada qual leva em seu interior, mete-nos nos becos da tentação, com o propósito de nos treinar no caminho da virtude.
Já dissemos, e não me cansarei de repeti-lo até a saciedade, que sem tentação não há virtude. Quanto mais fortes sejam as tentações, maiores serão as virtudes, se logramos sair vitoriosos.
A tentação é fogo; triunfo sobre a tentação é luz. Não olhemos, pois, com desprezo para Tifão Bafometo, o Diabo, porque cada qual o carrega dentro de si mesmo e é a sombra do Deus íntimo.
Recordai, irmãos, que diabo é todo contraste; diabo é a sombra do Sol, a sombra de toda árvore à luz do astro rei, a note, etc., etc., etc. Olhado de outro ângulo, vista esta questão de outro aspecto, poderíamos dizer que, como o diabo é o anverso de toda medalha, para os tenebrosos, para as pessoas que vivem no Abismo, para os demônios, diabo são os anjos, os deuses, a luz, a bondade, a beleza, etc., etc.
Se as pessoas que vivem na luz se assustam quando vêem os demônios, é claro que também os demônios se assustam quando vêem as pessoas que vivem na luz, quando vêem os anjos, os arcanjos.
Estou falando de algo que me consta, de algo que pude vivenciar, experimentar por mim mesmo de forma direta.
Muitas vezes, ao entrar nos mundos infernos, vi os tenebrosos horrorizados; escutei-os exclamar: “Entrou um demônio, defendamo-nos!” Eles certamente sentiram pavor ante minha presença. Eu sou um demônio branco para eles e eles são demônios negros para mim. Assim pois, o diabo é questão de contrastes, de oposições, etc., etc., etc.
Nas dracontias se reverenciava o Dragão, quer dizer, a sombra do Logos, a sombra do Sol Espiritual, seu reflexo no universo e dentro de nós mesmos.
Não olvidem os senhores que atrás deste sol que nos ilumina está o Elon fenício ou Elion judeu, o sol central deste universo no qual vivemos, nos movemos e temos nosso ser.
Que este Sagrado Sol Absoluto tenha seus contrastes e oposições é normal. Em todo caso, sua sombra em nós e dentro de nós é Lúcifer, o grande treinador psicológico que temos para o nosso bem.
Porém, por favor, rogo aqui, aos irmãos que me escutam, compreender o que estou dizendo. Não temam; as resistências que há em alguns dos que me estão ouvindo neste momento são devidas aos preconceitos, ao temor, à informação equivocada de alguns sacerdotes dogmáticos.
Todos, desde crianças, recebemos certa educação e, então, inculcaram-nos idéias negativas e prejudiciais, errôneas e absurdas.
Foi-nos dito que Lúcifer era um diabo terrível que mandava em toda a Terra, que nos levava a um inferno ortodoxo para nos torturar em caçarolas ou caldeiras com fogo, etc., etc., etc.
Quero, amigos meus, que de uma vez saibam que o diabo esse das religiões ortodoxas não existe; o verdadeiro diabo o leva cada qual em seu interior.
Na Idade Média existiu a seita gnóstica dos satanianos. Também existiu a dos iscariotes. Os adeptos de tais seitas foram queimados vivos na fogueira da Inquisição.
É lástima que a seita dos satanianos não possa agora ser restaurada, devido ao fato concreto de que a documentação foi destruída.
Também causa certa dor o fato concreto de que Judas Iscariotes, até a data atual, seja considerado realmente como um discípulo traidor.
Se analisamos judiciosamente o que é Satã, o Diabo, Lúcifer, se compreendemos que é só o reflexo de Deus dentro de nós, a sombra do Sol íntimo dentro de cada qual, situado no fundo de nossa alma para o nosso bem, de fato e por direito próprio vamos fazendo justiça a tal seita gnóstica.
Senhores e senhoras! O satã ortodoxo, dogmático, das seitas clericais não existe; o autêntico Lúcifer está dentro de cada pessoa e só assim deve ser entendido.
Judas Iscariotes é outro caso muito interessante. Realmente, este apóstolo jamais atraiçoou a Jesus, o Cristo. Só representou um papel e este lho ensinou seu Mestre Jesus.
O drama cósmico, a vida, paixão e morte do nosso Senhor, o Cristo, foi representado desde os antigos tempos por todos os grandes avataras.
O Grande Senhor de Atlântida, antes da segunda catástrofe transalpalniana, representou, em carne e osso, o mesmo drama de Jesus de Nazaré. em certa ocasião, um missionário católico que chegou à China encontrou o mesmo drama cósmico entre a gente de raça amarela. “Eu acreditava que nós, os cristãos, éramos os únicos conhecedores deste drama!” Exclamou o missionário. Confundido, pendurou os hábitos.
Tal drama foi trazido à Terra pelos Eloim. Qualquer homem que busca a auto-realização íntima do Ser terá que vivê-lo e converter-se no personagem central da cena cósmica.
Assim, pois, cada um dos doze apóstolos de Jesus de Nazaré teve que representar seu papel na cena. Judas não queria executar o que lhe tocou; solicitou o de Pedro; mas Jesus já havia estabelecido firmemente a parte que cada discípulo tinha que simbolizar.
O papel que Judas teve que aprendê-lo de memória e lhe foi ensinado por seu Mestre.
Judas Iscariote nunca, pois, traiu o Mestre. O Evangelho de Judas é a dissolução do ego; sem Judas não é possível o drama cósmico. É pois, este apóstolo o mais exaltado adepto, o mais elevado de todos os apóstolos do Cristo Jesus.
Indubitavelmente, cada um dos doze teve seu próprio evangelho. Não poderíamos negar a Patar, Pedro. Ele é o hierofante do sexo, aquele que tem as chaves do reino em sua destra, o grande iniciador.
E que diremos de Marcos, que guardara com tanto amor os mistérios da unção gnóstica. E que de Felipe, aquele grande iluminado, cujo evangelho nos ensina a sair em corpo astral e a viajar com corpo físico em estado de Jinas. E que de João, com a doutrina do Verbo. E que de Paulo, com a filosofia dos gnósticos. Seria muito longo narrar aqui tudo o que se relaciona com os doze e o drama cósmico.
Chegou o momento de eliminar de nossas mentes a ignorância e os velhos preconceitos religiosos; chegou o instante de estudar a fundo o esoterismo crístico.
P. – Mestre, quando aos demônios que dizem que atemorizam e atormentam as pessoas nas estradas, é isto certo.
V.M. – Com o maior gosto darei resposta à pergunta que sai do auditório. Quando nós negamos o diabo dos ortodoxos dogmáticos, não recusamos o diabo autêntico que existe dentro de cada pessoa; tampouco negamos os demônios tenebrosos do Averno que atormentam as pessoas.
Não obstante, devemos fazer plena diferenciação entre o que é a sombra do Logos dentro de nós mesmos (Lúcifer) e o que são os demônios ou agregados psíquicos ou anjos caídos, etc., etc., etc.
Existem demônios por onde quer que seja, dentro e fora de nós. Demônios são nossos agregados psíquicos; demônios são os agregados psíquicos do próximo; demônios são Bael, Moloque, Belial e muitos milhões, bilhões e trilhões e mais. Estes existem inevitavelmente e temos que lutar contra eles.
P. – Querido Mestre, qual é a maneira eficaz para defender-nos dos diabos que nos atacam?
V.M. – Amigos! Existem muitas conjurações antiqüíssimas, mediante as quais é possível defender-nos dos ataques dos tenebrosos. Recordemos a Conjuração dos Sete do Sábio Salomão, a Conjuração dos Quatro, o Pentagrama, etc., etc., etc.
De forma muito especial convém saber que o Pentagrama com o ângulo superior para cima e os dois ângulos inferiores para baixo faz fugir os tenebrosos.
P. – Mestre, quero que vossa mercê me diga se o quinto anjo, que vem em guerra para dar a sabedoria íntima do Ser, pode liberar e dar o grande ensinamento sobre o Judas Iscariotes à humanidade?
V.M. – Amigos que esta noite me escutam! Distinta dama gnóstica que fez a pergunta! Na Idade Média, certos elementos reacionários, compreendendo que Samael, meu Real Ser Interior, o Quinto dos Sete, ensina a sabedoria oculta revolucionária, deram à sombra do Logos o nome de Samael; quer dizer, trataram-me de diabo pelo delito de não me encaixar em seus moldes tão tremendamente estritos.
A mim cabe agora desvelar, indicar com claridade o caminho, fazer a dissecação de muitas palavras e conceitos, para ver o que é que têm de verdade.
Não sou o único iniciado que conhece os mistérios do drama cósmico, tampouco sou o único que tem a honra de saber o papel de Judas, pois já sabemos que existiu a seita gnóstica dos iscariotes, especializada precisamente no evangelho do grande Mestre Judas, fiel discípulo de Nosso Senhor, o Cristo.
Os ignorantes ilustrados, os velhacos do intelecto, os sequazes de muitas seitas mortas lançaram-se contra nós pelo fato mesmo de haver divulgado estas questões. Entretanto, cumprimos com o nosso dever e com o maior prazer jogamos a luz nas trevas, custe o que custar.
Para Judas, repito, não se fez justiça, apesar de ser o mais excelso de todos os doze.
O que sucede é que à humanidade desagrada horrivelmente eliminar o ego e, como a doutrina do Iscariotes é precisamente contra o eu, contra o mim mesmo, então o mais natural é que até os próprios eruditos das diversas escolas pseudo-esotéricas e pseudo-ocultistas o odeiem mortalmente.
Em todo caso, os quatro Evangelhos não podem ser tomados à letra morta; estão escritos em chave. Foram precisamente elaborados por iniciados e para iniciados.
P. – V.M. Então, se Judas Iscariotes foi o mais excelso dos discípulos do Grande Kabir Jesus, então quem foi o traidor?
V.M. – Respondo esta pergunta que sai do auditório. Amigos e irmãos gnósticos que me escutam! O verdadeiro traidor do Cristo está dentro de cada um dos senhores. Isto quer dizer que não somente traíram o Cristo, senão que, além disso, o estão traindo diariamente, de instante em instante e de momento em momento.
Bem sabem os irmãos maçons o que são os três traidores de Hiram Abif. Judas é o demônio do desejo, que trai o Cristo Íntimo de segundo em segundo; Pilatos é o demônio da mente, que sempre se anda desculpando, justificando-se, lavando as mãos, declarando-se inocente, etc., etc.; Caifás é o demônio da má vontade, cada qual o leva bem dentro, aquele que não sabe fazer a vontade do Pai, esse que sempre faz o que quer o que lhe vem na gana, sem lhe importar uma vírgula os mandamentos do Bendito.
Os três traidores assassinaram Hiram Abif, o Mestre Secreto.
Jesus, o Grande Kabir, antes de cristalizar, em si mesmo, as três forças primárias do universo, teve que eliminar o Judas íntimo; como tereis que fazê-lo cada um de vós.
Entendido tudo isto, compreendendo que o Iscariotes só cumpriu com um dever, obedecendo a seu Mestre e representando um papel que havia aprendido de memória, devemos agora fazer justiça a esse adepto ante o veredito solene da consciência pública.
P. – Mestre, desde o início do cristianismo, a Sagrada Bíblia, conhecida como o livro da verdade divina, não menciona os apóstolos como o senhor os denomina, nem tampouco ensina que Lúcifer é a sombra de Deus. Por que devemos dar mais crédito a suas palavras que ao que se lê nos santos Evangelhos?
V.M. – Com o maior prazer vou dar resposta à pergunta que saiu do auditório.
Distinto cavalheiro! Os Quatro Evangelhos foram escritos 400 anos depois de Cristo, não pelos apóstolos, senão pelos discípulos dos apóstolos e, como já disse, estão escritos em chave.
Certamente, esses são quatro tratados de alquimia e cabala.
Analisando judiciosamente as palavras do Grande Kabir Jesus, vendo nelas a parábola caldéia e egípcia, a matemática pitagórica e a moral budista.
Indiscutivelmente, o Grande Kabir viajou pela Índia, Caldéia, Pérsia, Grécia, Egito, etc., etc., etc.
Só aqueles que estudamos o gnosticismo, só aqueles que aprofundamos no esoterismo cainita, sataniano, iscariote, naassênio, essênio, pedatissênio, etc., etc., etc., conhecemos, certamente, o que são os mistérios de Lúcifer e o papel que Judas realizou e o que teve que fazer cada um dos apóstolos do Mestre Jesus no drama cósmico.
Não é a Bíblia, precisamente, a que vai explicar o papel de cada um dos doze. Comece o senhor, distinto cavalheiro, por conhecer a fundo o esoterismo dos doze signos zodiacais e logo se oriente mediante o estudo das religiões comparadas e das escrituras gnósticas.
Muito poderá o senhor intuir estudando a Pistis Sophia. É lástima que só encontremos esse livro em inglês. Entretanto espero que algum dia seja traduzido para o espanhol.
Em todo caso, não devemos estudar à letra morta a Bíblia, pois está escrita de forma simbólica e só a podem entender os iniciados.
Não sou eu o único que conhece todos estes mistérios, porém sim, sou o primeiro a desvelá-los, a fazê-los públicos para o bem da humanidade.
P. – Mestre, faça-me o favor de explicar-nos por que Pedro negou três vezes o Cristo.
V.M. – Com o maior gosto darei resposta a esta pergunta. diz-se que Pedro negou Cristo três vezes e convém conhecer seu significado. Obviamente, isto é completamente simbólico. Com isto se quer dar a entender que o iniciado uma e outra vez cai em tentação, já seja no mundo físico ou nos mundos internos, e chora e sofre o indizível; mas se persevera, se é firme, se ao fim elimina o ego e o reduz a poeira cósmica, então se converte em mestre e chega à auto-realização íntima.
"Guerra nos Céus  - Amigos meus! Damas e cavalheiros que me escutam! Vamos esta noite estudar o tema relacionado com a Guerra nos Céus.
Tem-se falado muito sobre a grande rebelião dos anjos contra o Eterno; tem-se afirmado que Miguel, com suas hostes de luz, teve que pelejar contra o Dragão e seus sequazes.
Tudo isto, amigos meus, é completamente simbólico; devemos saber entendê-lo, para não cair no erro.
Em passadas conferências demos amplas explicações sobre o Diabo, o Dragão, e agora entraremos mais a fundo em toda esta questão.
Entre parênteses, quero contar a todos os aqui presentes que eu tenho uma aposta com o Diabo e isto poderá surpreendê-los um pouco...
Em certa ocasião, não importa agora a data nem a hora, sentados os dois, frente a frente, ante uma mesa, escutei, dos lábios do meu próprio Lúcifer íntimo, as seguintes afirmações: “Eu a ti te vencerei na castidade e vou te demonstrá-lo. Tu comigo não podes...”
“Queres fazer uma aposta comigo?” Sim, respondeu Satã, estou disposto a casar a aposta.”
“Por quanto casamos a aposta?...” “Por tanto e está feito.”
Afastei-me daquele personagem, que não é mais que o reflexo de meu próprio Logos íntimo, tratando-o, em verdade, um pouco mal...
Em nome da verdade, quero dizer aos senhores, amigos meus, que até o momento atual estou ganhando a aposta, pois o Diabo comigo não pôde; de nenhuma maneira logrou fazer-me cair em tentação, ainda que tenha tido que travar com ele tremendas batalhas.
A guerra, pois, é tremenda. E estou vencendo o Dragão e posso dizer que o tenho derrotado.
Isto é o mesmo que fez Miguel contra Lúcifer; a mesma luta de todo iniciado contra seu Dragão.
Assim como Miguel venceu todos os anjos rebeldes, assim também cada um de nós deve vencer e desintegrar todos os eus diabos ou agregados psíquicos que personificam nossos erros.
Visto de outro ângulo este assunto da Guerra nos Céus, encontramos que tal alegoria representa, também, a luta que houve entre os adeptos primitivos da raça ária e os bruxos da Atlântida, os demônios do oceano, etc., etc., etc.
É inquestionável que, depois da submersão daquele velho continente, os magos negros da terra antiga, tragada pelas águas, continuaram atacando incessantemente os adeptos da nova raça, à qual nós todos pertencemos.
A alegoria, pois, da Guerra nos Céus tem variados significados. Pode simbolizar acontecimentos religiosos, astronômicos, geológicos e, além disso, possui um sentido cosmológico muito profundo.
Na terra sagrada dos Vedas, fala-se muito das batalha de Indra contra Vitra.
Obviamente, o resplandecente Deus Indra é chamado pelos sábios Vitrahan, por ser o matador do Dragão; da mesma forma que Miguel é o vencedor do mesmo.
É claro que todo iniciado que mate ou vença o Dragão é tragado pela Serpente e, de fato, se converte em Serpente, como Wotan.
Não obstante, as tentações sexuais soem ser espantosas;  raros são aqueles que não caem em tentação.
Satã, o Dragão, Lúcifer ou como queiramos chamá-lo, faz tremendo superesforços para fazer cair em tentação o iniciado e é claro que quase todos falham. Por isso é que é muito difícil conseguir pessoas auto-realizadas. A debilidade das pessoas se encontra precisamente aí, no sexo, e, por muitos fortes que se sintam, com o tempo sucumbem.
É, pois, isso da Guerra no Céu algo terrível, quase impossível de descrever com palavras. As tentações sexuais não são qualquer coisa... É, acaso, muito fácil vencer o Dragão? O mais grave de tudo isto é que as pessoas têm vivo o ego; os demônios vermelhos de Seth não morreram e a Consciência de cada qual, embutida entre seus agregados sinistros, funciona, em verdade, dentro de seu próprio condicionamento e até se justifica, lavando as mãos como Pilatos, ou adiando o erro, dizendo: “Hoje não pude; porém, depois, com o tempo, triunfarei”, etc., etc., etc.
Assim, desta forma, são muito raros os Miguéis que vencem o Dragão; temos que buscá-los com a lanterna de Diógenes. Essas pessoas são demasiado débeis, frágeis, ignorantes e absurdas.
Tem-se falado, também, muito sobre os anjos caídos nos velhos textos da antigüidade clássica, mas isto não o entendem os ignorantes ilustrados, nem os velhacos do intelecto.
Qualquer Guru Deva que caia na geração animal se converte, de fato, num anjo caído e até em um demônio.
É inquestionável que, quando algum adepto comete o crime de derramar o vaso de Hermes, ressuscitam, dentro de si, todos os elementos inumanos que antes havia desintegrado e, por tal motivo, faz-se, de fato, um demônio a mais.
Chegamos, pois, à raiz de um tema muito discutido, demasiado estudado e raras vezes compreendido.
O que acontece é que, para poder compreender esta questão, necessita-se havê-la vivido; de nada servem aqui as suposições ou os vãos racionalismos.
Como eu vivi tudo isto num remotíssimos passado arcaico, quando multidões de Boddhisatvas lêmures cometeram o erro de cair na geração animal, por isso posso dar testemunho sobre tudo isto e explicar-lhes cruamente tal como é e sem suposições nem utopias de nenhuma classe.
A mim não me importa que as pessoas me creiam ou não me creiam; estou dizendo o que vivi e isto é tudo. Além do mais, ali descubra cada qual com sua vida. Afirmo o que me consta, o que pude ver, ouvir, tocar e palpar.
A questão dos anjos caídos está representada no Indostão com as lutas religiosas de irânios contra brâmanes, deuses contra demônios, deuses contra Asuras, tal como figura na guerra do Maabárata, etc., etc.
Isto das batalhas contra o Dragão podemos vê-lo também nos Edas escandinavos, onde aparecem os Ases guerreando contra os gigantes gelados. Asathor contra Jotums.
Quero, pois, amigos meus, que compreendam a necessidade de pelejar contra o Dragão. Quero que entendam que devem vencê-lo em batalhas campais, se é que de verdade aspiram os senhores converter-se em Serpentes de Sabedoria e em deuses terrivelmente divinos.
Por favor, rogo-lhes que saiam da ignorância em que se encontram; suplico-lhes que estudem estes livros e que os vivam. Dói-me, em verdade, vê-los a todos vocês convertidos em sombras débeis e miseráveis.
P. – Mestre, quisera explicar-me se, ao cair uma pessoa que esteja trabalhando na frágua acesa de Vulcano, ressurgem nela o eu ou os eus que conseguira desintegrar.
V.M. – Distinta irmã gnóstica! É inquestionável que com qualquer queda sexual ressuscita, de fato e por direito próprio, algum elemento subjetivo infra-humano. Por isso Nosso Senhor, o Cristo, disse: “O discípulo não se deve deixar cair, porque o discípulo que se deixa cair em tentação tem depois que lutar muitíssimo para recuperar o perdido.”
P. – Mestre, fala-nos o senhor da Guerra nos Céus e sabemos pelos ensinamentos, que as lutas contra o inimigo secreto devem ser feitas no Averno, quer dizer, descendo aos Infernos. Poderia esclarecer-me isto?
V.M. – Amigos! É inquestionável o sentido alegórico de todos os escritores religiosos; sejam estes cristão, budistas, maometanos, etc., etc. O assunto este dos céus refere-se a estados de Consciência. indubitavelmente, nossos distintos estados conscientivos são alterados na luta. A batalha contra o inimigo secreto pode levar-nos à liberação definitiva ou ao fracasso total.
Certamente resultaria incongruente supor, sequer por um momento, tentações passionais em regiões divinais inefáveis; por este motivo devemos traduzir aqui a palavra céus como estados de Consciência ou como funcionalismos da Essência, etc., etc., etc.
P. – Mestre, quando o senhor falava que casou aposta com seu Lúcifer íntimo, podemos entender que o montante desta é sua própria alma?
V.M. – Amigos, irmãos gnósticos! Existem as valorizações e as desvalorizações do Ser. Existem também capitais cósmicos equivalentes a virtudes. O montante de tal aposta se baseia em determinado capital cósmico; este se valoriza de forma similar a como se valorizam as moedas do mundo e, portanto, ficaria desprovido de certa quantidade de virtudes e depreciado ou desvalorizado intimamente. Creio que, como o aqui expresso, os irmãos deste auditório me entenderam.
P. – Mestre, fala-se-nos que, trabalhando na frágua acesa de Vulcano, pode-se desintegrar o ego. Que nos pode dizer a respeito?
V.M. – Distinta dama! Já em passadas conferências falamos muito amplamente sobre o modus operandi para a dissolução do mim mesmo, do si mesmo.
Também fizemos amplas explicações sobre o mesmo tema em nosso livro intitulado o Mistério do Áureo Florescer. Então dissemos que havia necessidade de trabalhar com a lança de Eros durante o coito químico ou cópula metafísica.
Creio, pois, que este auditório já não ignora nossos procedimentos gnósticos esotéricos; o mais importante consiste precisamente em saber orar durante o Sahaja Maithuna.
Em tais instantes devemos suplicar à Divina Mãe Kundalini particular (porque cada qual tem a sua), para que ela elimine o erro que necessitamos erradicar ou extirpar de nossa própria psique.
É indiscutível que a eletricidade sexual transcedente pode reduzir a cinzas qualquer defeito psicológico.
Indubitavelmente, nossa Mãe Divina Kundalini, manejando com destreza a lança santa, poderá tornar pó qualquer agregado psíquico, qualquer defeito íntimo.
Também dissemos em passadas cátedras que se faz necessário primeiro haver compreendido o defeito que queremos extirpar de nossa natureza. É ostensível que só por meio da técnica da meditação podemos compreender, de forma íntegra, qualquer erro.
Compreensão e eliminação são básicas para a dissolução do mim mesmo, do si mesmo.
P. – Mestre, quisera explicar-nos se, derramando o vaso de Hermes, desenvolve-se o órgão Kundartiguador?
V.M. – Distintas damas e cavalheiros! É urgente compreender que, quando se derrama o vaso de Hermes de forma contínua e habitual, desenvolve-se também o abominável órgão Kundartiguador, a famosa cauda satânica dos tenebrosos, o Fohat negativo, sinistro, que por fim nos conduz pela via descendente, infra-humana, até o Abismo e a morte segunda.
P. – Mestre, quisera dizer-nos se, trabalhando na frágua acesa de Vulcano sem derrame do vaso de Hermes, porém sem desintegrar o eu pluralizado, por fim também se desenvolve o órgão Kundartiguador?
V.M. – Amigos, distinta dama que faz a pergunta! Faz-se muito necessário compreender a necessidade de uma conduta reta quando se trabalha na forja dos cíclopes.
Aquele que não morre em si mesmo, aquele que não dissolve o ego, com o tempo desenvolve o abominável órgão Kundartiguador, ainda que esteja trabalhando na frágua acesa de Vulcano (o sexo-ioga).
Já dissemos em precedentes capítulos que o abominável órgão de todas as fatalidades se desenvolve nos adúlteros, nos que traem o Guru, nos sinceros equivocados acostumados a justificar delitos, nos iracundos e perversos, etc., ainda que estejam trabalhando com o tantrismo branco, ainda que não derramem o vaso de Hermes.
Só morrendo em si mesmo e trabalhando de verdade na nona esfera e sacrificando-se por nossos semelhantes é como podemos desenvolver, em nossa natureza íntima, a Serpente Ígnea de Nossos Mágicos Poderes.
Muito mais tarde, temos que vencer o Dragão totalmente, se é que de verdade anelamos ser devorados pela Serpente, para converter-nos em Serpentes.
P. – Mestre, a batalha que travou o arcanjo Miguel contra o Dragão e os anjos rebeldes, devemos entender que o fez com a lança de Longibus?
V.M. – Meus amigos! A lança de Longibus é a mesma lança de todos os pactos mágicos, a mesma com que São Jorge ferira seu dragão.
Não há dúvida de que esta lança santa, esta hasta de Aquiles é o emblema maravilhoso da energia sexual, com a qual podemos incinerar, queimar, destruir radicalmente as diversas partes do mim mesmo, do ego, do eu psicológico.
P. – Venerável Mestre, o que é que alegorizam os anjos rebeldes?
V.M. – Amigos! Diz-se que Miguel pelejou contra o Dragão e seus anjos rebeldes, como temos que fazê-lo nós contra o Lúcifer íntimo e os agregados psíquicos; trata-se de lutas interiores, secretas, terríveis e muito dolorosas.
Cada um de nós deve converter-se, pois, em um Miguel, pelejando incessantemente contra o Dragão e suas hostes fatais" ( V.M. Samael Aun Weor ).

QUESTÃO DE ESTUDO

Após a leitura deste texto assista às vídeo aulas e vídeos textos do tema 78 e faça uma síntese conceitual do assunto, descrevendo  o tema LÚCIFER, DIABOS, CAPETAS E SATÃ.